Curitiba ao Atacama: nossa primeira grande viagem
14 dias, ida e volta de Curitiba até o deserto do Atacama. A primeira viagem longa minha e da Julia — e a que provou que a estrada ia virar a nossa história.
Tem viagem que a gente faz, e tem viagem que muda a gente. Essa foi do segundo tipo.
Foi a primeira viagem longa minha e da Julia — e a gente não sabia, quando ligou a moto em Curitiba, que estava começando muito mais que um roteiro. Catorze dias depois voltaríamos com a moto empoeirada, o corpo cansado do jeito bom e a certeza de que a estrada tinha virado o nosso jeito de viver juntos. Mas naquela primeira manhã era só uma seta apontando pra cima do mapa: rumo ao deserto do Atacama.
O caminho já era metade da aventura
Quem acha que viagem de moto é só o destino nunca cruzou a Argentina de ponta a ponta. O trajeto foi se abrindo aos poucos, e cada trecho tinha um sabor:
- Posadas e Corrientes, atravessando o coração quente e plano do norte argentino
- Termas de Río Hondo, onde paramos de propósito pra visitar o Museo del Automóvil — parada obrigatória pra quem, como a gente, ama uma máquina com história
- Tafí del Valle e Cafayate, quando a paisagem começa a ficar surreal e as montanhas tomam conta do horizonte
- A Ruta 68 — e aqui eu preciso parar pra dizer: maravilhosa. Dessas estradas que a gente reza pra não acabar, de paredões coloridos e curvas que parecem desenhadas pra moto
- Salta, Purmamarca e Tilcara, subindo, subindo, sempre subindo
- E enfim o Atacama, lá no alto, até a Mão do Deserto
A cada dia a altitude subia, o ar ficava mais fino e a temperatura despencava à noite. O verde do sul foi virando o ocre da puna, o cinza da rocha, o branco do sal. É uma transformação que só quem anda devagar, no ritmo da moto e exposto a tudo, sente de verdade — a paisagem não passa numa janela, ela entra na gente.
Salinas Grandes — a história que a gente não esperava
De todas as surpresas da viagem, essa foi a maior. No meio do caminho a gente cruzou com o pessoal do @lofstudio — eles nos conheceram ali na estrada, daquele jeito que só acontece quando se está viajando. Quando chegamos nas Salinas Grandes, eles fizeram um ensaio de fotos nosso ali no salar.
Imagina o cenário: um deserto de sal branco que some no horizonte, o céu de um azul que não parece real, e nós dois com a moto no meio daquele nada infinito. O chão estala sob as botas, a luz reflete em tudo, e por alguns minutos o mundo inteiro é só branco e silêncio.
Foi inacreditável. A gente parou pra atravessar um deserto de sal e saiu de lá com as fotos mais bonitas que já tiramos juntos — e com gente nova que a estrada colocou no nosso caminho.
(As fotos de vocês no salar que estão aqui no site são desse ensaio — crédito e gratidão ao @lofstudio. 🙏)
Atacama e a Mão do Deserto
Chegar no Atacama é chegar em outro planeta. O deserto mais seco do mundo tem uma quietude que a gente sente no peito — o silêncio é tão grande que dá pra ouvir o próprio pensamento. A luz é diferente, as cores são diferentes, o tempo parece andar mais devagar.
E lá, no meio do nada, a Mão do Deserto saindo da areia como se a própria terra estivesse acenando. Foi o ponto mais distante da viagem e o nosso marco silencioso: conseguimos. Viemos de moto, desde Curitiba, até aqui. Não precisou dizer nada — a gente só se olhou e entendeu o tamanho do que tinha feito.
O que essa viagem foi pra gente
Difícil resumir em palavras. Foi a primeira vez que encaramos tantos quilômetros juntos, dividindo capacete, frio, cansaço e cada paisagem nova — e, em vez de cansar da estrada (e um do outro), só deu mais vontade de continuar.
Inesquecível é a palavra que mais se aproxima. Foi essa viagem que plantou tudo o que veio depois: a Serra, a Patagônia, a Itália. E é por causa dela que esse cantinho existe — pra guardar cada memória antes que a estrada nos leve pra próxima.
Dicas pra quem quer fazer
[Gabriel, complete aqui com o que vocês diriam pra quem quer encarar esse roteiro: documentação e seguro pra cruzar fronteira, cuidado com a altitude (puna), frio à noite, combustível entre cidades, e a melhor época do ano. Suas dicas reais valem ouro pra quem lê.]